Cozinhar bem vem de dentro!

Descrição:

Mia Couto, moçambicano, jornalista, biólogo e autor de livros revela, em forma de poesia, a significância do simples ato de cozinhar:

“Cozinhar é o mais privado e arriscado ato.
No alimento se coloca ternura ou ódio.
Na panela se verte tempero ou veneno.
Cozinhar não é um serviço.
Cozinhar é um modo de amar os outros.”

Eu, Marina, ousaria dizer que essa é uma das mais verdadeiras e inspiradoras  palavras sobre a essência da gastronomia.

Seguindo a premissa de que “no alimento se coloca ternura ou ódio”, torna-se clara a constatação do enorme poder do ato de cozinhar.

Nesta perspectiva, cozinhar é acima de tudo transferir sentimentos, transmutar sensações, verter aquilo que carregamos dentro de nós de forma instintiva e fugaz.

O ato de cozinhar não está restrito ao fato de reproduzir receitas, pelo contrário, vai muito além de selecionar, harmonizar e finalizar ingredientes.

Se em uma simples panela “se verte tempero ou veneno” significa que aquilo que se faz com amor, dedicação e carinho é capaz de agregar um tempero único ao alimento. Enquanto aquilo que se faz com indiferença, descaso e talvez desgosto se transforma também em um veneno, em algo intragável.

Faça um teste em sua cozinha e descubra que até uma receita tradicional de família, mesmo sendo reproduzida diversas vezes, quando preparada com frieza torna-se praticamente impossível imprimir sabor.

Enquanto até um simples arroz, quando preparado com dedicação e amor torna-se o melhor arroz do mundo.

Não são somente os ingredientes que mudam as receitas, o que transforma os resultados é aquilo que você decide oferecer.

Cozinhar é um ato muito mais intrínseco quando visto pelo semblante do amor.

Marina de Carvalho Mendes Mafra